Estratégias Sensoriais na Educação: Casos Reais que Transformaram a Aprendizagem
No artigo de hoje vocês vão conferir como eu, terapeuta ocupacional atuante da abordagem de integração sensorial, utilizei estratégias sensoriais na educação. E mostrando que sim! É possível termos mais engajamento com alerta adequado através de acomodações sensoriais.
Mas, antes, vamos rever como as estratégias sensoriais são importantes na sala de aula, e como auxiliam no processo de aprendizagem.
Por que as estratégias sensoriais na educação são importantes?




Quando pensamos em processamento sensorial, estamos pensando na forma como o cérebro interpreta determinado estímulo vindo do ambiente ou do próprio corpo. Quando esse processamento ocorre de maneira desorganizada ou inadequada, a criança pode apresentar dificuldades sensoriais significativas, resultando na perda de engajamento em sala de aula e dificuldades para interagir com os desafios acadêmicos e sociais.
E quando falamos em um nível mais amplo, que é a integração sensorial, estamos nos referindo à forma como os diferentes sistemas sensoriais processam e organizam as informações, permitindo a realização de praxias e a resolução de problemas de maneira eficiente. Ou seja, trata-se da capacidade do cérebro de gerar uma resposta adaptativa ao contexto em que o indivíduo está inserido.
As estratégias sensoriais na educação visam justamente oferecer suporte para que o aluno possa regular melhor seus estímulos e interagir de forma mais ativa com o aprendizado
Além disso, estratégias sensoriais são especialmente importantes para estudantes com dificuldades de aprendizagem, como crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou TDAH, pois ajudam a regular estímulos e promover um ambiente mais acessível e confortável para todos.
📌 Benefícios das estratégias sensoriais na educação:
- Melhoram a atenção e o foco nas atividades;
- Facilitam a autorregulação emocional e comportamental;
- Promovem o engajamento e a participação ativa na aprendizagem;
- Favorecem a memória e a retenção de informações;
- Criam um ambiente inclusivo, respeitando as necessidades sensoriais de cada aluno.
Ao incorporar estratégias como espaços de movimento, materiais táteis, estímulos visuais organizados e atividades que envolvem diferentes sentidos, os professores potencializam a aprendizagem e tornam o ambiente escolar mais dinâmico e acessível para todos os estudantes. 🎯✨
O impacto da integração sensorial na aprendizagem
Uma integração sensorial eficiente é essencial para o aprendizado porque influencia diretamente habilidades motoras, emocionais, sociais e cognitivas. Quando uma criança consegue processar os estímulos de forma organizada, ela é capaz de:
- Sentir-se segura no ambiente escolar e focar nas atividades propostas;
- Regular suas reações emocionais e comportamentais, evitando frustrações excessivas;
- Desenvolver habilidades motoras finas e grossas, essenciais para a escrita, desenho e outras tarefas acadêmicas;
- Interagir melhor com professores e colegas, favorecendo a aprendizagem colaborativa.
Por outro lado, crianças com dificuldades na integração sensorial podem apresentar desafios como:
- Hipersensibilidade a sons, luzes ou texturas, tornando o ambiente escolar desconfortável;
- Dificuldade em se manter sentado ou prestar atenção por longos períodos;
- Problemas com a escrita, recorte e outras atividades motoras finas;
- Evitação de certas atividades ou resistência a mudanças na rotina.




3 estratégias sensoriais na educação que deram certo!
Vamos lá! Agora é hora de compartilhar as estratégias que deram certo.
Estratégia 1 – Pausas ativas
O primeiro caso que vou apresentar para você é o de Pedro.
Pedro é uma criança agitada, que rapidamente se desorganiza diante das demandas que lhe são dadas. Para ajudá-lo a se recompor e engajar nas atividades, propus à escola que ele pudesse utilizar o parque logo ao chegar, permitindo que liberasse parte da energia acumulada antes de iniciar a rotina escolar.
No entanto, apenas essa pausa inicial não foi suficiente. Percebemos que era necessário um segundo momento de pausa ao longo do turno, para que ele pudesse se reorganizar novamente e continuar participando das atividades com mais foco e controle.
O aspecto mais interessante desse caso — e de outras crianças com um perfil mais agitado — é que o ritmo é um fator determinante para promover uma organização interna que favoreça a calma e a autorregulação. Ou seja, não basta apenas oferecer um intervalo no parque ou um momento de movimento; é essencial que essa experiência tenha um ritmo mais lento e linear, ajudando a criança a estruturar melhor suas respostas e prolongar seu engajamento nas atividades quando retorna para a sala de aula.
Cada criança tem necessidades sensoriais específicas, e por isso é fundamental analisar individualmente qual estratégia funciona melhor para ela, seja em relação às pausas ativas, aos momentos de transição ou a outras acomodações que favoreçam sua organização e aprendizado.
Estratégia 2 – Estímulo tátil
O segundo caso é o de Ana.
Ana apresentava uma busca tátil intensa e, em alguns momentos, também proprioceptiva. Ela frequentemente abraçava e beijava os colegas de forma impulsiva, jogava-se no chão e, em uma ocasião, chegou a morder um colega.
Para ajudá-la a regular essa necessidade sensorial e manter-se engajada nas atividades, oferecemos acomodações sensoriais táteis dentro do ambiente escolar. Criamos uma caixa tátil, contendo materiais como massinha, slime, fidgets e potes de sagu. O uso dessa caixa era de demanda livre, ou seja, Ana poderia acessá-la sempre que sentisse necessidade de estímulos táteis.
Com essa estratégia, sua percepção corporal foi gradativamente se ajustando, tornando-a mais consciente dos próprios limites e reduzindo significativamente os comportamentos disruptivos. A possibilidade de buscar os estímulos de forma organizada dentro de um contexto apropriado permitiu que Ana se sentisse mais equilibrada e participativa no ambiente escolar.
Estratégia 3 – Elástico na cadeira/carteira
O terceiro caso é o de João.
João era uma criança com uma intensa busca por movimento, o que, em alguns momentos, tornava desafiador o fluxo das atividades em sala de aula. Para ajudá-lo a se manter engajado sem inibir essa necessidade natural, optamos por uma solução simples e eficaz: a fixação de um elástico em sua carteira.
Esse recurso permitia que João movimentasse os pés livremente, de forma regulada, sem comprometer sua participação nas atividades. Além disso, o uso do elástico ativava sua propriocepção, proporcionando um estímulo adequado e ajudando-o a se organizar melhor no ambiente escolar.
É importante ressaltar que o movimento não faz com que a criança perca o foco nas atividades – muito pelo contrário. Para crianças que necessitam desse tipo de estímulo, permitir o movimento adequado dentro do contexto escolar é essencial para mantê-las atentas e concentradas no conteúdo, beneficiando tanto sua aprendizagem quanto a dinâmica da sala.
Os casos de Pedro, Ana e João demonstram na prática como as estratégias sensoriais na educação podem transformar o aprendizado e promover maior engajamento. Ao identificar as necessidades sensoriais de cada criança e oferecer acomodações adequadas, é possível criar um ambiente escolar mais acessível, inclusivo e eficiente para todos.
Se você é professor, terapeuta ou responsável por crianças que apresentam desafios sensoriais, vale a pena explorar essas estratégias e adaptá-las conforme a necessidade de cada aluno. Pequenas mudanças no ambiente e na rotina escolar podem trazer grandes benefícios para a aprendizagem e o bem-estar das crianças.
LEIA TAMBÉM: Integração sensorial na educação: O que todo professor precisa saber.
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